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Estudo Fana · relatório 2026

A ficha catalográfica no Brasil

Quanto custa, quanto demora e onde trava. O que editoras, bibliotecários e prestadores de serviços nos contaram entre agosto e outubro de 2026.

228respostas
56editoras
153bibliotecários
20estados e DF
Em uma página

O que mais apareceu

Seis números que resumem o estudo, cada um com a sua base. Os percentuais descrevem quem respondeu, não o mercado inteiro.

1 em 2

editoras depende de alguém de fora para fazer a ficha: um bibliotecário freelancer ou a CBL.

27 de 56 editoras
32%

das editoras relataram uma ficha com erro que precisou ser refeita no último ano.

17 de 53 editoras
3 de 56

editoras escolheriam pagar menos como principal melhoria. 25 escolheram rapidez, certeza de que está correta ou não ter de correr atrás de ninguém.

Base: 56 editoras
53%

dos bibliotecários apontam obter os dados com o cliente entre as etapas que mais tomam tempo. A classificação vem logo a seguir (48%).

51 de 97; era possível marcar mais de uma
R$ 50

é a mediana do valor mínimo que os bibliotecários dizem aceitar por uma ficha. Metade respondeu entre R$ 40 e R$ 70.

87 respostas
2 em 3

editoras não usam cadastro de metadados (31) ou não sabem o que é (6).

37 de 55 editoras
Em resumo: para 63 de 97 bibliotecários, uma ficha simples leva até meia hora, e obter os dados com o cliente é a etapa mais citada como demorada. Entre as editoras, metade não indicou mudanças; quem indicou pediu rapidez e segurança muito mais do que preço. Entre os bibliotecários que nunca fizeram fichas para terceiros, 38 de 56 marcaram falta de clientes.
Quem respondeu

228 respostas, de agosto a outubro

O questionário ficou aberto de 1 de agosto a 21 de outubro de 2026. Cada pessoa escolheu o seu papel; quem tem mais de um papel pôde responder por cada um.

Por papel

Como chegaram ao estudo

Por região

Editoras por tipo

Como ler estes números. Este não é um censo. A participação foi voluntária, a maioria chegou por e-mail, e há mais respostas de São Paulo (118) e de editoras universitárias (37 de 56) do que de outros perfis. Por isso, os percentuais descrevem quem respondeu, não o mercado brasileiro. Cada percentual é calculado sobre as respostas àquela pergunta (a "base", indicada em cada gráfico); nas perguntas em que era possível marcar mais de uma opção, a soma passa de 100%. Em cada área, ficou só a resposta mais recente de cada participante. Não divulgamos nomes nem contatos; os números são apresentados em conjunto e os trechos citados não identificam quem escreveu.
Editoras · 56 respostas

Quem faz a ficha, quanto custa e quanto demora

Metade das editoras resolve a ficha internamente, com bibliotecário próprio ou vinculado à universidade. A outra metade utiliza um profissional externo ou a CBL.

Quem faz a ficha

Quanto pagam por ficha

Prazo informado para receber a ficha

Como os dados do livro são enviados

Leitura. Entre as 26 editoras que pagam pela ficha, 23 pagam até R$ 60, e 45 de 53 recebem a ficha em até três dias. Ainda assim, há registros de correções e problemas, mostrados a seguir. Nas respostas abertas, as editoras também falaram de revisão, diagramação, orçamento, equipes reduzidas e trâmites administrativos: a ficha é uma etapa de um processo maior, e este levantamento não permite dizer que seja o principal gargalo.

Problemas relatados e possíveis melhorias

Duas perguntas diferentes medem os erros: fichas refeitas e fichas corrigidas.

O que aconteceu no último ano

Fichas corrigidas no último ano

Se pudessem melhorar uma coisa

O que contratam fora

Usam cadastro de metadados?

Das 29 que verificaram os dados dos seus livros em livrarias online, 10 já encontraram informações erradas.

Leitura. Metade das editoras (28 de 56) não indicou mudanças prioritárias. Mesmo assim, 17 de 53 relataram uma ficha refeita por erro; noutra pergunta, 20 de 50 disseram ter corrigido pelo menos uma ficha (9 delas, três ou mais), e 10 de 56 já tiveram um livro parado por falta de documento. Quem indicou uma mudança pediu sobretudo rapidez e segurança; só 3 pediram preço menor.
Bibliotecários · 153 respostas

Quem faz fichas, quanto cobra e por que não faz mais

Quase metade dos bibliotecários que responderam faz fichas para fora. Entre os 56 que nunca fizeram e explicaram por quê, 38 marcaram não ter clientes, 18 não saber quanto cobrar e 7 não ter interesse.

Faz fichas para fora?

Por que nunca fez

Quanto cobra por uma ficha

Valor mínimo que aceitaria

R$ 50
R$ 0R$ 40R$ 70R$ 100

Metade das respostas ficou entre R$ 40 e R$ 70. O valor do meio é R$ 50.

Base: 87 respostas com valor. Respostas vão de R$ 10 a R$ 400.

Leitura. A mediana do valor mínimo aceito é de R$ 50 tanto entre quem faz fichas regularmente (16 respostas) como entre quem faz de vez em quando (49); entre quem deixou de fazer, é de R$ 60 (21). Do lado das editoras que pagam, 12 de 26 pagam até R$ 40. São perguntas diferentes, feitas a grupos diferentes, e não permitem uma comparação direta. As respostas mostram também que parte dos profissionais sente falta de referências para definir os seus preços.

O que consome mais tempo

O tempo varia com a complexidade da ficha. Obter os dados com o cliente e classificar o conteúdo são as etapas mais citadas como demoradas.

Tempo de uma ficha simples

Tempo de uma ficha difícil

O que mais toma tempo

De onde vêm os clientes

Recusou trabalho no último ano?

O que faria aceitar mais trabalho

Leitura. Entre quem faz fichas regularmente, 14 de 18 estimam até meia hora para uma ficha simples; entre quem faz de vez em quando, 34 de 52. A diferença é descritiva e não diz a causa. Um em cada três (51 de 150) diz não receber pedidos, o que mede a procura que chega, não a disponibilidade de cada profissional.

O que gera desconfiança

Perguntamos o que deixaria um bibliotecário desconfiado de um serviço que ligasse editoras a profissionais. A pergunta era aberta e teve 114 respostas.

Pagamento e taxas

Como e quando se recebe, quanto fica com a plataforma, medo de calote.

Quem está por trás

Saber quem são os responsáveis e os profissionais, com registro, reputação e regras claras.

Dados pessoais

Sigilo, segurança e não expor telefone ou endereço.

IA, golpes e o registro

Receio de fichas feitas por IA em que o bibliotecário só assina, de golpes e de alterações em fichas já assinadas.

Houve também respostas favoráveis à ideia («acho uma boa ideia», «agrega à nossa profissão») e muitas sem nenhuma preocupação específica. Os temas acima não representam necessariamente a opinião da maioria, e por isso não os apresentamos em percentuais.

Os serviços oferecidos pelos prestadores

16 respostas. 14 recebem clientes por indicação, metade trabalha sozinha e, quando recusa um trabalho, 10 indicam um colega.

Serviços que oferecem

Por que recusam trabalho

Nas palavras de quem respondeu

Vozes do estudo

Trechos das respostas abertas. Para proteger quem escreveu, alguns foram encurtados (marcado com "(...)") e cada um é identificado só pelo grupo.

Dividir energia entre o trabalho técnico com o texto, os trâmites institucionais (...) e as exigências burocráticas (...) pulveriza nossa capacidade de entrega.

Profissional de editora

Com dados incompletos, na verdade, não dá para fazer a ficha.

Bibliotecário(a)

Precisamos de todos os processos para produzir bons livros, mas os próprios processos atrasam o trabalho de produzir um livro.

Profissional de editora

O mais complicado é obter as informações que precisamos. O processo de elaboração das fichas em si é muito simples, fácil e rápido.

Bibliotecário(a)

Se cobramos mais caro, não fechamos trabalho. Se cobramos barato fechamos, mas recebemos muito pouco pra quantidade de trabalho.

Prestador(a) de serviços editoriais

Cheguei a levar dias para concluir uma ficha, por estar em dúvida se tinha feito da maneira correta.

Bibliotecário(a)

(...) seguir investindo energia em tecnologias voltadas para produção de fichas catalográficas em seu formato original não condiz com os avanços tecnológicos (...).

Bibliotecário(a)

Não imagino como cobrar, acho que seria interessante criar uma tabela de preços para nos orientarmos.

Bibliotecário(a)

É muito difícil empreender sendo bibliotecário, pois normalmente são serviços específicos.

Bibliotecário(a)

Considero o valor do CBL como referência, apesar de não concordar com o valor.

Bibliotecário(a)
Para fechar

O que fica deste estudo

Tudo o que segue descreve os participantes do estudo, não o mercado inteiro.

  1. A ficha simples é rápida para a maioria. 63 de 97 bibliotecários levam até meia hora. Obter os dados com o cliente (51 de 97) e classificar (47 de 97) são as etapas mais citadas como demoradas.
  2. Preço não é a principal queixa das editoras. Só 3 de 56 escolheriam pagar menos. Quem indicou uma mudança pediu rapidez, certeza e não ter de correr atrás de ninguém.
  3. Erros e correções aparecem. 17 de 53 editoras relataram uma ficha refeita por erro no último ano, em proporção parecida com ficha feita dentro ou fora de casa. 10 de 56 tiveram um livro parado por falta de documento.
  4. Muitos bibliotecários não recebem pedidos. Entre os que nunca fizeram fichas para terceiros, 38 de 56 marcaram falta de clientes e 18 não saber quanto cobrar. Nas respostas abertas, surgiram dúvidas sobre como definir preços, e a CBL foi citada como referência.
  5. O cadastro de metadados é pouco usado. 31 de 55 editoras não o usam e 6 não sabem o que é; das 18 que explicaram por quê, 11 citaram o custo. Das 29 que verificaram os seus livros em livrarias online, 10 encontraram dados errados.
  6. Confiança aparece nas respostas abertas. Bibliotecários falaram de transparência sobre os responsáveis, condições de pagamento, proteção de dados e uso adequado do registro profissional.

Sobre o estudo

O Estudo Fana foi feito de forma independente por João Mois e Ana Carolina Ribeiro Mois, bibliotecária (CRB-7/RJ), a partir da experiência dela com fichas catalográficas no setor editorial. Os dois avaliam a possibilidade de desenvolver serviços nesta área. Essa iniciativa é independente da divulgação destes resultados, que são apresentados em conjunto e sem identificar os participantes.

Obrigado

A todas as 228 pessoas que responderam, e a quem ajudou a divulgar, em especial a Associação Brasileira das Editoras Universitárias (ABEU) e os Conselhos Regionais de Biblioteconomia. Pesquisadores que queiram recortes agregados para trabalhos acadêmicos podem nos escrever.

Contato: estudofana@gmail.com

O relatório completo, em PDF

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